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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Grito do Guerreiro

A imaginação de uma criança é mesmo algo contagiante. Lembro de uma vez em que fui à Nova Iguaçu pagar uma conta e um menino estava parado no calçadão segurando uma espada de brinquedo. Ele parecia concentrado e indiferente às pessoas que transitavam a seu redor. De repente, ele desembainhou a espada e bradou como um poderoso guerreiro. Os braços abertos, espada em riste e o urro selvagem com direito a vento esvoaçando o cabelo e a blusa.
Dei um pulo para trás. Jurava que raios surgiriam em volta daquela figura mística e os vidros das janelas dos prédios mais próximos começariam a estilhaçar. Por sorte a mãe do menino surgiu e, puxando-o pelo braço, pôs fim àquela manifestação devastadora de poder. Estávamos salvos.
Mais tarde, na intimidade do meu quarto, minha namorada e eu acabáramos de fazer amor e ela resolveu discutir nossa relação.
_ Acho que estamos vivendo uma rotina.
_ Como assim?
_ É sempre a mesma coisa! Precisamos fazer coisas diferentes!
_ Acha que nosso lance não está sendo legal?
_ Legal é, mas... Sei lá! Acho que falta um pouco mais de imaginação!
Com esta última frase, não tive dúvidas! Saltei da cama e vasculhei minha gaveta com material de desenho e encontrei o que eu procurava: uma régua de 60cm!
_ Amor, o que pretende fazer com isso?
Não respondi. Fiz uma cara de mal e minha companheira deu um sorrisinho maroto. Ela ficou toda entusiasmada quando bati com a régua na palma de minha mão.
_ Ui! Seu safadinho...
Fiquei de pé sobre o colchão e ergui a régua, quase atingindo o ventilador de teto, como se fosse a própria excalibur. Dei o urro mais potente que meus pulmões conseguiram reproduzir e ainda simulei um terremoto sacudindo a cômoda e as cortinas.
Depois disso ela nunca mais atendeu meus telefonemas e eu até imagino o porquê.

Um comentário:

Lua de Março disse...
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