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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Às Vezes Me Sinto Um Turista Em Meu Próprio Quintal

O dia estava lindo e resolvi aproveitar as belezas naturais que o Rio de Janeiro oferece a seus moradores e visitantes. Escolhi o Pão de Açúcar, um de nossos mais famosos cartões postais. Já estive lá antes, mas esta foi a primeira vez que decido ir sozinho (onde eu estava com a cabeça?). Pensei em subir pela trilha, mas sem companhia o caminho seria ainda mais longo e penoso, então embarguei no bondinho. Pouca coisa na paisagem me era novidade, mas é impossível não se encantar com a geografia, a vegetação e as edificações que compõem o cenário que nos rendeu o título de cidade maravilhosa.Tirei muitas fotos e até flagrei dois micos devorando um filhote de sua própria espécie (nem tudo é belo na natureza). Olhando daqui, Copacabana parece-me uma lembrança distante e fria.
Ainda desconfortável com os sentimentos que me norteiam, sentei-me em uma cadeira diante do espetáculo de um céu e um mar infinitamente azuis e acabei visitando um ponto remoto de acesso ainda mais difícil localizado dentro de mim mesmo. Refleti por um momento e fui tomado por uma súbita consciência de decisões equivocadas. Não sabia bem o porquê, mas, quando me dei conta, eu estava represando um choro que já não suportava manter-se contido. Teria sido o medo? A saudade? A carência ou a indignação? Algo estava engasgado e foi preciso muita força (ou fraqueza?) para não vomitar todo o reboco que insiste em se desprender de meu coração. Um copo de água me ajuda a engolir meu entulho sentimental e me distraio com os turistas que parecem muito mais à vontade que eu em minha própria cidade.
Na descida, tenho a impressão de ter deixado algo para trás. A tristeza ainda está aqui comigo, então, não deve ser nada realmente importante... Quem diria que um pão de açúcar poderia ter um sabor tão amargo?

Um comentário:

Jefferson de Morais disse...

Pois é, meu caro amigo, tive uma sensação muito parecida com a tua na semana retrasada. O local onde eu estava não me oferecia uma visão panorâmica da cidade, mas era possível identificar pontos interessantes, como o Cristo, o Pão de Açúcar, o Maraca, a Quinta, parte da Baía sob a ponte... Fiquei alguns minutos a observar essa paisagem e, confesso, que fiquei um tanto tonto; é uma cidade totalmente estonteante. E a gente está tão acostumado com essa beleza toda, que só nos damos conta de sua grandeza quando paramos e, em profundo estado de reflexão, nos colocamos a observá-la...

Excelente postagem!
Abraço,
Jefferson.