Esses dias, vi na televisão uma reportagem falando sobre a descoberta de textos apócrifos que, supostamente, teriam sido escritos por Judas Iscariotes, o famoso delator bíblico, e que seu conteúdo poderia até inocentá-lo de sua fama de traidor. Não seria a primeira vez que a igreja comete falhas por conta de equivocadas interpretações da sagrada escritura. Maria Magdalena foi tachada de prostituta e, apesar do próprio vaticano ter reconhecido o erro, até hoje há quem acredite na suposta profissão autônoma e alternativa da ilustre personagem de Magdala.
Se analisarmos melhor a complexidade dos fatos, vamos nos deparar com uma conspiração celestial, um audacioso estratagema onde todos faziam parte de um engenhoso plano a fim de ascender as promessas do messias que, inclusive, já havia declarado que um de seus seguidores o entregaria. Judas era uma peça importante, pois alguém teria que entregar Jesus e o desafortunado apóstolo foi o sorteado.
Mas por que é importante mantermos essa tradição de espancar um boneco no sábado de aleluia representando um alcagüete? É que toda boa história tem que ter um herói e um vilão. Judas é o antagonista da trama. É o personagem de uma parábola que nos faz crer que todo aquele que errar será punido (o que na prática sabemos ser bem diferente).
Certa ocasião, fui de carro a uma sorveteria. Um menino veio em minha direção desembestado em uma pequena bicicleta sem freios. Se eu fosse mais desatento, teria atropelado aquela criança traquina. Consegui desviar, mas o menino estatelou-se no chão tentando parar. Mesmo sem ter culpa de nada, desci do carro e fui constatar que, fora o susto e alguns arranhões superficiais, o menino estava bem. Estacionei o carro e entrei na sorveteria. Logo em seguida, entrou um rapaz dizendo ao sorveteiro que o tal menino foi atropelado, estava coberto de sangue, todo quebrado e o motorista fugiu sem prestar socorro. Fiquei surpreso com tamanha criatividade... Se em menos de cinco minutos me tornei alvo de um boato infundado, imagina o que acontece em mais de dois mil anos de história mal contada?
Ainda que o pobre dedo-duro tivesse traído seu mestre por pura ganância, deveríamos praticar as lições de Jesus: perdoar, amar ao próximo, não julgar, não condenar... Se não agimos de acordo com esses princípios, então os traidores somos nós. Como não ganhei um único centavo nesta transação obscura, dou a Iscariotes o benefício da dúvida e prometo não maltratar nenhum de seus bonecos no próximo sábado de aleluia! Quer dizer, se ninguém me oferecer 30 dinheiros.
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domingo, 30 de agosto de 2009
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