Em uma cidade não muito distante, o Grande Líder, eleito pelo povo, tomou posse e começou a pôr em prática seu plano de governo, sempre enfatizando as promessas de campanha que lhe garantiram a vitória nas urnas. Havia mil favores pendentes, parcerias importantes que ele não poderia decepcionar. Favoreceu seus aliados e passou a ser muito bem visto pela mídia.
Mas a consolidação de sua imagem pomposa tinha seu preço. As regalias ofertadas a seus cúmplices partidários representavam um gasto significativo ao cofre público. Com seu brilhante engenho, não foi difícil para este líder decidir quem pagaria a conta: o povo.
As obras que mudariam aquela cidade nem sequer tiveram início. Escolas e hospitais em completo abandono. Ruas esburacadas e insegurança por todos os lados.
O povo exigia uma satisfação de seu atual governante que facilmente convenceu a todos que a culpa era do funcionalismo público. O raciocínio era simples: Os funcionários do quadro administrativo representavam um gasto ofensivo ao dinheiro do povo. O que poderia ser investido em obras e melhorias para a cidade era usado para pagar benefícios e altos salários a estes funcionários.
As providências foram tomadas sem demora. Benefícios foram cortados, salários reduzidos, conquistas ignoradas, sem falar nas demissões aleatórias. Claro que o Grande Líder garantiu os privilégios de seus protegidos. Apenas o quadro de nível médio foi sumariamente punido em prol de um bem maior.
Com o tempo, o bem maior não veio. O Grande Líder buscava novas justificativas para novos cortes. A atmosfera entre esses funcionários era de hostilidade, tensão e medo. Justamente quando eles deveriam se unir, os funcionários passaram a se repudiar mutuamente. A falta de dinheiro altera o humor de qualquer um.
A cidade continuava um caos e o povo já não podia contar com a prestatividade do funcionalismo. Transporte, refeição, licenças, folgas... Tudo que poderia ser tirado desses funcionários foi subtraído e, mesmo assim, o grande líder estava diante de uma crise que, bem sabe, ele mesmo provocou.
O Grande Líder concentrou seus esforços em criar fortes alianças a fim de promover sua carreira, mas esquece que não há futuro quando o alicerce que o apóia afunda como areia movediça. Ao tratar seus funcionários como máquinas de barata manutenção, comprometeu as estruturas de seu governo. O Grande Líder nunca mais voltou ao poder, pois as máquinas não se queixam, mas também não votam.
Não existe Nação sem humanidade.
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